1# EDITORIAL 29.1.14

"DILMA VERSUS DAVOS"
 Carlos Jos Marques, diretor editorial 

Em final de mandato e s vsperas de uma nova campanha eleitoral, a presidenta Dilma resolveu encarar as queixas do capitalismo seguindo pela primeira vez para o Frum Econmico que ocorre anualmente na charmosa estao de esqui de Davos, nos Alpes Suos. Por trs anos consecutivos a mandatria recusou convite para falar nessa conferncia da elite mundial que rene empresrios, chefes de nao, banqueiros e economistas. Mas achou por bem mudar de ttica. Seu objetivo foi reverter as desconfianas sobre o mercado brasileiro, que so muitas e aumentam a cada dia. Garantiu que os fundamentos macroeconmicos internos esto slidos e que as oportunidades para o capital no param de surgir por aqui. Citou as concesses pblicas, os projetos em andamento, os incentivos, a melhoria da qualidade de vida do cidado e at a Copa. O capitalismo internacional est questionando Dilma por conta dos pfios resultados econmicos: o PIB magro, a inflao em alta, as contas pblicas desarrumadas. O governo brasileiro esfora-se para mostrar que no  bem assim. Na queda de brao perde o Pas. Paira no ar a ameaa de um rebaixamento da nota brasileira pelas agncias de risco e a consequente fuga de capitais que esse fator representa. Em tempos de globalizao, quem no se comunica de maneira transparente com os investidores sofre as consequncias. Dilma est aprendendo com os anos. No poupou tempo e recheou a agenda de encontros desde que pisou no continente europeu. Alm da conferncia, teve diversas conversas reservadas com CEOs de multinacionais. Respondeu pacientemente s perguntas e s dvidas de executivos e participantes do Frum. Dilma presidenta tambm  candidata  reeleio e precisou demarcar territrio de estabilidade para inverses futuras das grandes empresas. A manobra para selar a tranquilidade no ambiente gelado de Davos contou com o reforo de atuao de todo o staff econmico  do ministro da Fazenda, Guido Mantega, a Tombini, do Banco Central. A interlocuo com os donos do capital, adotada com maior vigor nos ltimos tempos, tem sido uma arma importante. O empresariado ainda se sente hostilizado pela governante.  uma queixa recorrente, que vem provocando uma paralisia de projetos e investimentos, prejudicando os brasileiros como um todo. A maratona em Davos pode ter representado um ponto de inflexo importante para mudar esse estado de coisas.

